Três mortos e mais de 14 feridos foi o resultado do acidente que envolveu um caminhão, um ônibus e uma D-20 na manhã de ontem. As colisões aconteceram na rodovia estadual que liga o município de Ribeirópolis à Aparecida, no Km-175. Duas pessoas que estavam na cabine do caminhão morreram no local, José Sérgio Silva Menezes e José Eugênio Félix Filho. Mesmo sendo socorrido rapidamente, Afonso Alves da Silva, que viajava na parte traseira do caminhão, não suportou e faleceu na Clínica de Saúde de Ribeirópolis.

De acordo com o motorista da D-20 com placa de Piranhas BMG-6253, José Augusto da Silva, ele não morreu, porque conseguiu desviar do caminhão que passou para a contramão. “Ele vinha de Aparecida e eu de Itabaiana quando ele entrou na contramão, eu desviei, o pneu furou e eu caí na ribanceira”, conta ele, acrescentando que atrás dele vinha o ônibus que colidiu com o caminhão e sobrou para o outro lado do acostamento.

Pessoas que estavam na parte detrás do caminhão que vinha de Aquidabã, placa HZD-7485, como o trabalhador rural e feirante Ginaldo Alves da Silva contam que faz esta viagem com freqüência e que ia comprar mercadoria em Itabaiana para revender em sua cidade. Ele revelou que em sua companhia vinha cerca de mais nove pessoas. Apesar de se sentir bem depois dos primeiros atendimentos na Clínica de Saúde de Ribeirópolis, ele iria ser removido a Itabaiana para fazer radiografias da coluna e cabeça.

Os passageiros do ônibus, placa BXB-6608, retornavam de um passeio em São Paulo e tinham como destino a cidade de Águas Clara, em Pernambuco. Um deles, o carpinteiro Anízio Pereira da Silva disse que não viu como o acidente aconteceu. “Sei que senti a pancada e depois o ônibus virou, a única vontade era sair dali de dentro. Saímos pelas janelas laterais”, conta ele, lembrando que havia muitas crianças.

Segundo o tenente Adroaldo da Companhia de Policiamento Rodoviário Estadual (CPRV), vinham 34 adultos e cinco crianças no ônibus, duas pessoas na D-20, mas ainda iriam averiguar a quantidade exata de passageiros transportados no caminhão.

Atendimento – Quem fez os primeiros atendimentos aos pacientes que foram encaminhados à Clínica de Saúde de Ribeirópolis foi o clínico geral Davis Almeida e sua equipe. Ele conta que chegaram cerca de 12 pessoas, sendo que seis foram ferimentos leves ou superficiais e os outros seis eles estabilizaram e encaminharam para o Hospital em Itabaiana ou João Alves Filho, na capital. “Quem necessitava de um procedimento mais complexo nós encaminhamos para o Hospital João Alves ou o Garcia Moreno”, informa.

A chefe do setor de humanização do Hospital de Itabaiana, Odete Paes, informou que 13 pessoas do acidente chegaram para ser atendidas. Um faleceu, três foram transferidos para HJAF e seis liberados. “Os outros três ainda estão em observação, caso necessário também iremos removê-los para Aracaju”, diz.
No final da manhã de ontem, seis pessoas haviam dado entrada no HJAF e estavam passando por exames e em observação. Dentre eles, estavam o motorista do ônibus Sandro Oliveira dos Santos, dois passageiros do caminhão e três do ônibus. Segundo a assessoria de comunicação do hospital, eles apresentavam quadros estabilizados.

Solidariedade – Aqueles que tiveram ferimentos leves puderam contar com a atenção da prefeita da cidade de Ribeirópolis, Uita Barreto. Ela transformou a casa do café da manhã dos garis, que fica localizada em frente a Clínica de Saúde da cidade, em um abrigo. Sua equipe ajudou as famílias dando lanche, banho, medicamentos e procurou encaminhar os mais feridos para atendimentos em Itabaiana ou em Aracaju. “Não tem ninguém da minha cidade envolvido no acidente, mas temos pessoas de Itabaiana e de outros lugares que necessitavam de nossa ajuda”, comenta.

Irregularidade – A CPRV aumentou a fiscalização de caminhões pau-de-arara para evitar o transporte de pessoas no lugar de cargas. Esse tipo de transporte é apropriado para levar mercadorias e essa prática é ilegal. Dados da companhia contam que somente nos dois primeiros meses de 2006, 76 veículos irregulares foram recolhidos e de novembro do ano passado até hoje, 260 foram notificados.

O comandante da CPRV, Vivalde Cabral, explica que o sertão de Sergipe, onde não tem transportes regulares, é onde mais acontece o transporte clandestino. “Lamentavelmente pessoas morrem em acidentes como este, por irresponsabilidade do condutor. Proprietários de veículos que insistem em transportar pessoas em compartimento de carga. Estamos fazendo levantamento do que realmente ocorreu, mas é comum que pessoas viajem na parte de cima”, diz.

De acordo com ele, se for constatado esse tipo de transporte, o motorista pode vir a responder por homicídio (em caso de morte), além das penalidades com base no Código de Trânsito Brasileiro. “É bom os proprietários saberem que em acidentes como este o principal responsável é o condutor”, informa.

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