Os caminhoneiros de Rio Grande e região que fazem o transporte de contêineres interno (entre os terminais retroportuários e o Terminal de Contêineres) e de longa distância mantêm a paralisação por tempo indeterminado, iniciada na tarde de segunda-feira. Durante todo o dia de ontem eles permaneceram concentrados na Via Um, estrada de acesso à Estrada da Barra (BR-392) e aos terminais do superporto. Centenas de caminhões estavam parados na lateral da Via Um, onde se formou uma extensa fila, no pátio do sindicato da categoria e áreas próximas. A maior parte estava sem carga, mas vários deles estavam carregados. Conforme os caminhoneiros, os que chegavam carregados, inclusive de carga geral, estavam parando no local. Nenhum caminhão estava entrando nos terminais portuários.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos de Rio Grande (Sindicam), Paulo Quaresma, os grevistas pediam aos outros motoristas para aderirem ao movimento e todos estavam atendendo ao pedido. Quaresma relatou que ontem a paralisação já abrangia em torno de 1.200 caminhoneiros, sendo a grande maioria transportadores de contêineres. Ontem à tarde, a Brigada Militar mantinha quatro viaturas, com vários policiais, inclusive do Pelotão de Operações Especiais (POE), na Via Um. De acordo com o major Cláudio Luis de Almeida Clavijo, que está respondendo pelo Comando do 6º BPM, a intenção era garantir que aqueles que desejassem pudessem trabalhar e, em caso de necessidade, fazer a segurança, acompanhando a saída ou entrada de caminhões nos terminais retroportuários.

Segundo o major, o protesto dos caminhoneiros estava pacífico. “Chegou a haver tentativa de obstrução da rodovia, mas eles atenderam nosso pedido e desobstruíram”, relatou. Alguns motoristas reclamaram que colocaram pneus para bloquear a Via Um e a Brigada Militar retirou-os e colocou dentro de um valo, o que “polui o meio ambiente”. O major Clavijo disse que a intenção não foi poluir, mas colocar os pneus o mais distante possível para que não fossem reutilizados e queimados para bloqueio da estrada.

Reivindicações
A categoria reivindica o cumprimento integral da tabela de fretes, com diária; o retorno dos caminhões ao serviço interno do Terminal de Contêineres, que foi cortado em 31 de dezembro do ano passado; 100% do serviço interno para o Sindicato; e o repasse de 20% do volume de trabalho das transportadoras para a Cooperativa dos Caminhoneiros Autônomos (Cootresul). Também quer o fim do transporte de contêineres por via ferroviária, o que dizem ser uma concorrência desleal, pois os trens podem transportar cargas de maior peso do que as permitidas nas rodovias, e que está aumentando o desemprego entre os caminhoneiros. Com relação à tabela de fretes, Paulo Quaresma relatou que o acordo feito com as transportadoras em 2003 não está sendo cumprido.

Negociações
Na tarde de ontem, a diretoria do Sindicato e representantes das transportadoras ligadas ao setor de contêineres fizeram uma reunião de negociação, na sede da Superintendência do Porto (Suprg). Após a reunião, Paulo Quaresma disse haver 60% de chance de acerto entre as duas partes. Um novo encontro será realizado na manhã desta quarta-feira, às 9h, também na sede da Suprg. Enquanto isso, será mantida a greve.

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