Intervenções contemplaram apenas dois dos 800km da malha rodoviária previstos pela União

Alguns trechos das rodovias baianas já iniciaram as obras da Operação Tapa-buracos, anunciadas semana passada pelo governo federal. Entre as rodovias que já começaram as intervenções, estão a BR-324 e a BR-116, consideradas umas das mais críticas do estado. As obras na BR-324 já contemplaram trechos de municípios como Amélia Rodrigues, Santo Amaro e São Sebastião do Passé. Já na BR-116, onde está prevista a recuperação de 800km da malha rodoviária, a operação ainda está lenta e as obras até agora só contemplaram apenas 2km.

Ontem pela manhã, uma equipe de operários trabalhava no km-566 da BR- 324, (sentido Feira/Salvador), próximo ao viaduto de Santo Amaro. Metade da pista, que é de mão única, estava parcialmente interditada, mas não houve transtornos para os motoristas que passavam pelo local. O motorista Antônio José de Santana, 43 anos, que trafega pelo local todos os dias, disse que está otimista quanto à operação.

“Acho muito bom que eles comecem a fazer isso aqui. A pista está cheia de buracos e precisando de grandes reparos urgentes. Espero que toda a rodovia seja consertada, pois todo o ano só vemos os buracos aumentarem”, disse. Para o motorista Márcio de Jesus, 37 anos, a intervenção tem deixado a desejar em alguns trechos. “Eles estão trabalhando aqui e ali, mas ainda estou vendo muitos buracos na pista. Passei por trechos que tinham buracos que foram fechados e outros continuavam abertos. Desse jeito, em pouco tempo vai estar tudo a mesma coisa ou pior”, disse.

Segundo o técnico responsável pela obra no local, que preferiu não se identificar, as intervenções na BR-324 foram iniciadas desde o ano passado, e foram intensificadas no início deste ano. Do início da operação até ontem, foram realizadas interveções nos trechos do km-575 até km-579, próximo ao município de São Sebastião do Passé e do km-586 até km-591, próximo ao entroncamento de Candeias, todos nos dois sentidos. Também foram realizadas intervenções no município de Riachão do Jacuípe e Terra Nova. De acordo com o técnico, as intervenções estão sendo realizadas de forma alternada, priorizando os buracos maiores da rodovia.

Por conta disso, em alguns trechos, onde já foram feitas as intervenções, ainda é possível ver buracos na pista, a exemplo do km-591.

Na BR-116, a situação é ainda pior. A rodovia que liga a Bahia ao Sul do país é considerada uma das mais críticas do estado. As obras foram iniciadas na semana passada, no trecho que liga Feira de Santana até o Rio Paraguaçu. Ontem, a operação estava sendo realizada na altura do km-566, próximo ao posto da Polícia Rodoviária Federal. Lá, os motoristas tiveram que enfrentar trânsito lento por conta da intervenção parcial da pista que é de mão dupla. “Os carros já andam bastante lentos nesse trecho por conta dos buracos, com essas obras a tendência é que eles andem mais lentos ainda”, disse o policial rodoviário Arlindo São Paulo, salientando que no local é comum acontecer bastante acidentes.

Embora se mostrem otimistas com as obras de recuperação da rodovia, os motoristas que trafegam pela BR-116 afirmam que esse trabalho não vai resolver o problema da rodovia. “Eu acho que vale a pena, mas tudo isso é apenas um paliativo, pois essa rodovia já está toda estragada. O correto seria fazer um recapeamento completo, retirando toda a malha rodoviária velha e construir uma nova”, afirmou o representante comercial Eduardo Medeiros. Completamente esburacada, a BR-116 é temida pelos motoristas que evitam trafegar pelo local à noite. Fazendo verdadeiros malabarismos, eles tentam desviar das crateras e não conseguem ultrapassar de 20km/h a velocidade dos veículos. Oferecendo tantos riscos, a rodovia é uma caixinha de surpresas até para os motoristas mais experientes.

O motorista Juliano Bertolacini foi surpreendido por um dos buracos, ontem pela manhã, quando dirigia para São Paulo. Com a pancada no fundo do caminhão, o “bexigão” – peça que que faz a suspensão das rodas traseiras – se soltou causando um prejuízo incalculável. “Este é o segundo prejuízo que tenho este mês. Semana passada, quando voltava para Salvador, estourei o pneu e agora me acontece isso”, lamentou o caminhoneiro que tem dez anos de estrada. Para ele, as obras da Operação Tapa-buracos não vão resolver o problema da BR-116. “Nehuma obra de tapa buraco resolve isso aqui, só outra rodovia”, disse.

A Bahia possui a segunda malha rodoviária federal do país. Foram destinados para as obras da Operação Tapa-buracos R$18,6 milhões, dos quais R$9,9 milhões são para obras emergenciais. Ao todo, 1.450km de rodovias federais baianas serão contempladas com a operação. Segundo o novo diretor do Departamento Nacional de Infra-estrutura de Trasnporte (Dnit), Saulo Pontes, além desses dois trechos, outros sete, incluídos como obras emergenciais da operação, já estão em obras.

Na BR-101, as intervenções estão acontecendo em três trechos: da divisa da Bahia e Sergipe até o entroncamento com a BR-324; do entroncamento da BA-989 até Teixeira de Freitas e do entroncamento de Teixeira de Freitas até a divisa da Bahia com o Espírito Santos. Também estão sendo realizadas obras na BR-407, na divisa Pernambuco/Bahia até Capim Grosso, na BR-122, de Guanambi até Cândiba e na BR-367, no trecho de Santa Cruz de Cabrália até Eunápólis.

Quanto à lentidão das obras na BR-116, Saulo Pontes disse que o atraso nas obras está sendo gerado porque a usina de asfalto que deveria ser instalada na região, pela empresa responsável pelas obras, ainda não recebeu a licença do CRA. “Toda a massa asfáltica está vindo de Salvador e, por isso, estamos com as obras atrasadas. Já entrei em contato com a empresa e com o CRA e já estamos tentando resolver o problema”, declarou o diretor que tomou posse do cargo anteontem.

Sem previsão para começar
Enquanto as obras já começaram em alguns trechos das rodovias baianas, outros ainda não têm previsão para começar. De acordo com Saulo Pontes, as BRs 330, 110 e 123, também incluídas como obras emergenciais na operação, estão aguardando a dispensa de licitação para iniciarem as intervenções. De acordo com o novo diretor do DNIT, todos os trechos que entraram na operação já estavam licitados, exceto esses três. “Esses trechos não tinham contrato e o governo federal está tentando fazer um contrato de emergência. Um processo de licitação é lento e pode levar cerca de seis meses para se concluir, por isso estamos pedindo a dispensa”.

Os trechos que estão na lista de espera são: BR-101, entre o entroncamento com a BR-324 até laje; BR-110, de Geremoabo até Itamira e BR-330, entre o entrocamneto da BR-116 (Jequié) até o entrocamento da BR-101( Ubaitaba). Segundo Saulo Pontes, uma auditoria já está sendo realizada pelo DNIT e pelo Tribunal de Contas da União para viabilizar o processo. Amanhã, um auditor de Brasília deve vir à Bahia para tratar do assunto. “Uma avaliação dos trechos vai ser feita para que ela seja considerada emergencial. Acredito que na próxima semana esses trechos já estejam contemplados. Não podemos prejudicar a população, já que essas rodovias necessitam de intervenções urgentes”, afirmou.

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